15 outubro 2013

O futuro da humanidade

O título parece pomposo, mas é só uma preocupação que me assola de vez em quando. Normal, né? Quem tem filho deve se importar mesmo com o futuro. De preferência, fazer alguma coisa para que ele seja bom, melhor, possível, feliz.
Desta vez o pensamento tomou conta da minha cabeça depois de passar algumas horas do último domingo em um pronto socorro infantil. Primeira constatação: acho que tem gente que acorda no fim de semana, o filho está com uma tossezinha ou o nariz escorrendo, e decide "passear no PS". Juro, vi um monte de gente ali com roupa de domingo, mulheres maquiadas. Detalhe, cheguei antes das 9h30 da matina, porque Teresa estava com uma febre de mais de 39 graus e reclamava de dor nos rins. Eu estava com o cabelo preso de qualquer jeito, cara lavada, exatamente como alguém que sai correndo de casa para ir ao hospital, né? Tive que levar a Julieta comigo porque o Rico estava viajando.
Bem, a essa hora o lugar já estava lotado de famílias inteiras. Peguei a senha 87 e o pré-atendimento ainda estava na 60... Durante a longa espera, o local foi se revelando um circo dos horrores. Nunca vi tanta gente obesa e criança mal criada em um só lugar. Bebês, que supostamente estão doentes, sendo alimentados com biscoito recheado e tomando néctar (nome bonito que deram para uma mistura de qualquer coisa, com açúcar e corante) na mamadeira... Tinha uma avó que facilitava o trabalho da netinha, abrindo o biscoito porque ela só queria o recheio. Essa senhora achava muito engraçado a menina lamber aquela porcaria.
Foi chegando a hora do almoço e o saquinho de damasco que eu tinha levado já não estava segurando a onda. A lanchonete do lugar estava lo-ta-da de gordinhos e seus papais gordões. E a dificuldade de achar alguma coisa saudável para comer?? O jeito foi ficar no bom e velho pão de queijo e torcer para sair logo do inferno. O que ainda demorou, viu? Tetê teve que fazer alguns exames e ficamos esperando os resultados.
Enquanto isso, Julieta, que estava com a corda toda, brincava e fazia novos amigos. Teresa, mais caidinha, ficou desenhando em uma mesa, cheia de giz de cera.. Pelo menos três vezes alguma criança, que não estava desenhando, chegou perto da mesa e fez aquele strike, jogando os lápis no chão. Não vi nenhuma mãe repreender o filho. Algumas sorriam amarelo, outras se agachavam e catavam a lambança da criança, mas sem envolvê-la na arrumação. E teve um pai que deu um tapa em um menino!!! Foi nesse momento que pensamentos terríveis começaram a passar pela minha cabeça, inevitável... O que será dessas crianças quando crescerem? Ninguém lhes dá limite, quando estão implorando por ele. Também não praticam a máxima "bagunçou tem que ajudar (pelo menos) a arrumar". E quando decidem fazer alguma coisa, acham que um tapa vai resolver?
Olha, sinceramente, fiquei deprê. Imaginei que daqui há alguns anos nosso país será tomado de gente gorda, que se alimentou mal a vida inteira, desde a barriga da mãe. E também de gente mal educada, sem princípios, sem diplomacia. Não posso deixar de pensar que tem alguma coisa muito errada com uma sociedade (sociedade, né? Afinal tem propaganda, interesses comerciais...) que entope seus filhos de porcaria e cria párias. Sim, porque se tem gente que sofre preconceito hoje em dia é gordo. E não estou fazendo apologia à boa forma, padrões de beleza, nada disso. Estou pensando em saúde! E também estou sonhando com pessoas que possam conviver em harmonia, que não achem normal furar fila, xingar no trânsito, passear no PS. Temos trabalho pela frente, viu?

23 agosto 2012

Áh, as demandas das crianças de hoje

Gente, venho aqui para dividir uma coisa que tem me feito pensar muito ultimamente: as demandas que nós,  pais e mães dos dias de hoje, temos. Não se trata mais só de dar amor para os nossos filhos, alimentá-los, banhá-los, educá-los, ler antes que durmam. Não, hoje em dia é preciso mais, muito mais. Vejo por mim e pelos amigos próximos.
Aqui em casa, terças e quintas é dia de levar a caçula na fono. Com 2 anos e pouco a escola nos chamou e disse que os amiguinhos não entendiam o que ela falava, ela também sempre foi respiradora bucal, vive de nariz entupido. Desde então, duas vezes por semana atravessamos a cidade para que ela faça o tratamento adequado, com a profissional recomendada. Perco 3 horas entre levar, esperar e trazer de volta. Áh, a mensalidade é uma fortuna. Quartas e sextas, Tetê e Cuca fazem balé e natação. Nadar precisa, todo mundo sabe, faz bem pra saúde e também pode salvar vidas. A dança entrou no combo porque é o mesmo preço para só nadar ou nadar e dançar... E as meninas gostam, se vestem de bailarinas, rodopiam. Outra pequena fortuna pela mensalidade da academia. (Aqui, pelo menos aproveito o tempo em que elas estão lá para me exercitar também. Afinal, pai e mãe dos dias de hoje tem as suas próprias milhares de demandas...)
Sobrou a segunda, né? Que nada! A manhã da segunda é sempre ocupada pelo dentista (agora, a Tetê colocou aparelho e tem manutenção), exames, consultas, vacinas. Quando temos que marcar alguma coisa extra, é sempre na manhã da segunda, que ainda é rodízio do carro, então só a partir das 10h. Fora que todo dia tem escola, e levamos e buscamos.
Não estou aqui reclamando do tempo e do dinheiro que gastamos com todas essas coisas (tá, isso também é fogo, o trânsito de São Paulo está desumano e é altamente estressante). Até porque, por sorte, tenho um trabalho que me possibilita ser uma mãetorista e também ficar bastante com as minhas filhas. Opção que fiz e da qual não me arrependo.
Estou é pensando se toda essa atividade que as crianças fazem nos dias de hoje é mesmo necessária. Cadê o tempo de ficar sem fazer nada?? Julieta ainda tem três anos e tem compromisso 4 manhãs da semana, fora a escola. Ela, que é dorminhoca, é acordada e tem que se arrumar rápido, tomar café da manhã rápido, entrar no carro rápido e pegar no tranco, né?
Mas, quando estou a fim de tirá-las de alguma dessas atividades, logo vem a culpa. "Mas a menina precisa de fono. A outra, se não usar aparelho agora vai sofrer mais tarde. Atividade física é muito importante". E por aí vai. É difícil, pelo menos para mim, avaliar se estamos supervalorizando diagnósticos e a palavra dos especialistas. Então, se o médico, o dentista, a diretora da escola falam que é necessário tais e tais ações, lá vamos nós cumprir a agenda sem fim. E ainda fico pensando como é que fazem os pais que não tem o horário flexível como o meu...
Ai gente, esse post não vai chegar a conclusão nenhuma mesmo. Mas é um desses assuntos que não me larga e sendo assim escrevo para saber se sou só eu que estou meio encanada com tudo isso. Alguém?

12 julho 2012

A arte da mãe equilibrista, capítulo 6.2

Estamos em Recife. As meninas de férias, eu não. Oi? Ahá, a boa notícia é que conforme você vai avançando no aprendizado de ser uma mãe equilibrista este tipo de coisa, até então inimaginável, se torna possível. Mas, vejam bem, eu estou aprendendo as técnicas do equilíbrio, nada de mágica, nem de super poderes por enquanto. Para ser uma boa equilibrista é preciso contar com apoio e planejamento.
Só estamos conseguindo realizar este número porque não estamos em um hotel. As meninas tem a sorte de ter um avô que mora na Praia de Boa Viagem. Além da hospedagem com toda a infra, ele ainda tem uma casa cheia de brinquedos e objetos como piscininha, baldinho, bóia, etc, o que diminui bastante a bagagem da mãe equilibrista. Assim sobra espaço para trazer o lap top. Lembrem-se, estou trabalhando!
Também está aqui conosco a Dedi, que brinco, é meu braço esquerdo, já que sou canhota. Hoje, pela manhã, eu consegui caminhar 5 quilômetros na beira mar enquanto ela brincava com Teresa e Julieta na praia.
Para ser uma boa mãe equilibrista é preciso estar com corpo e mente em equilíbrio. Essa é outra dica que aprendemos na parte mais avançada do curso. Essa caminhada matinal tem sido ótima para planejar o resto do dia e escrever textos mentais (esse eu comecei caminhando, enquanto ouvia o disco Transa, do Caetano, que, tergiverso, cada vez que escuto me apaixono um pouco mais). Depois, encontrei com a patotinha para um mergulho, uma água de coco e voltar pra casa. Daí aquela função básica de banho, almoço, parapapapá. E de tarde, elas já sabem: mamãe está trabalhando. E tem funcionado, viu? Estou dando conta de fazer tudo o que tenho que fazer, e não é pouca coisa (esperem pelo próximo número da revista Claudia Bebê e vocês verão!).
Equilíbrio é isso aí! Minhas filhotas estão se divertindo, já pegaram uma corzinha (me desculpem amigos de São Paulo, mas aqui tá um sol danado!) e eu trabalho sem ficar me culpando por deixá-las as férias todas dentro de casa.
Mas nem tudo está perfeito, viu? Estamos com muita saudade do Pai Ricardo, que como todos sabem não é um pai de santo e sim o progenitor das meninas e meu marido querido.
PS: E a gente reclama da modernidade que nos deixa hiperconectados, mas nesse momento estou é bem agradecida! Viva o trabalho on line!

11 maio 2012

Pense num dia das mães ideal!

Eu acredito mesmo que dia das mães é todo dia e blá blá blá, porque mesmo que estejamos na China, ou numa balada sem as crianças, ou trabalhando feitos loucas, somos mães diariamente, pra vida inteira, sempre.
Se não precisamos de uma data para nos sentirmos reconhecidas, pensei em uma listinha de coisas que transformaria o próximo domingo em um Dia de Mãe Ideal:
  • Em primeiríssimo lugar, a noite que antecede a data seria dormida inteira, sem interrupções de nenhum tipo;
  • Sendo assim, acordaríamos sem olheira (essa que nos acompanha desde que o primeiro filho nasceu) e com um bom humor incrível. Claro, nossa pele também estaria ótima;
  • Poderíamos despertar com calma, lembrando de espreguiçar, e em vez das 1252 coisas que fazemos logo que levantamos, nos sentaríamos com calma, na mesa do café da manhã já posta. (Aqui, você pensa nas coisas que mais gosta de comer no desjejum. Chique.);
  • Nenhum de seus filhos estaria com tosse, ou nariz escorrendo, ou piolho. Nada, nenhuma mazela;
  • Se você ainda está casada com o pai dos seus filhos, ele lha daria um beijo na boca, daqueles de quando vocês ainda não eram pais;
  • São Pedro daria aquela força e o dia estaria lindo;
  • Você poderia escolher a programação do dia, mesmo que seja uma exposição cabeça. Áh, festinhas de crianças estão proibidas;
  • No almoço, você não teria que quebrar a cabeça para descobrir um lugar sem fila, que seja legal para crianças, com comida boa e que tenha preço razoável;
  • Claro que a sobremesa seria o doce mais gostoso do mundo e não engordaria nada;
  • Passaríamos o dia inteiro fofas, sem precisar repetir os mantras: não fale de boca cheia, não brigue com o seu irmão, peça por favor, arrume seus brinquedos. (Nossa, essa foi boa, hein? Acho que eu ia estranhar muito um dia assim...);
  • Como sempre ganhamos presentes mesmo, o pai das crianças teria o poder de ler a sua mente e lhe daria exatamente o que você quer ganhar, na cor preferida, número certo, perfeito;
  • Mas eu já adianto, troco tudo isso pela "surpresa" que vejo Cuca e Tetê tramando, aos cochichos pela casa! Ai, como eu gosto de ser mãe!

13 março 2012

Duas filhas mulheres. Ufa, nasceram no Brasil!

Outro dia, estava conversando com uma amiga querida sobre alguns livros que tratam de mulheres. Lembramos de uma ficção sobre haréns, mas baseada em fatos reias, da biografia de Ayaan Hirsi Ali (Infiel), que conta a vida da somaliana, que entre mil outras coisas, passou pela excisão do clitóris (sem anestesia), e Cisnes Selvagens, de Jung Chang, que trata de 3 gerações de mulheres chinesas, no século XX.
No meio do papo, me peguei agradecendo profundamente o fato das minhas duas filhas terem nascido no Brasil de hoje. Olha, isso ficou martelando na minha cabeça, e fiz questão de deixar passar o dia das mulheres para tocar no assunto. Porque sei que ainda temos milhares de problemas como desigualdade salarial e violência, para ficar só no básico. Mas, que alívio, e a palavra é essa, é ter tido minhas filhas em um país e em uma sociedade em que elas são bem vindas! O pai, demonstra a todo momento como se sente afortunado por ter filhas mulheres e chega a dizer que estas são melhores para o mundo. Muito diferente de países em que, se a gestação de uma menina vai adiante (sim, porque é comum em muitas culturas abortarem meninas), ao nascer ela está fadada a ser um pessoa de segunda classe. Será maltratada pelos pais, pelos irmãos, depois pelo marido. Já pensou passar a vida de burca??? E sofrer mutilações, agressões e humilhações apenas e simplesmente por ser mulher?? Eu, hein!
Mil vezes estar em um país como o nosso. E que nós mulheres, e todos os homens que amam e respeitam as mulheres, continuemos lutando pela igualdade possível que é a dos direitos. Porque no mais somos diferentes mesmo. Adoro ter filhas mulheres (e sempre pensei que ia ter meninos, vai entender...) e não vou aceitar jamais que elas sofram qualquer violência. E tenho dito!

29 fevereiro 2012

A beleza está na diversidade

Uma das coisas de que mais gosto na maternidade é o quanto aprendo com ela. É um aprendizado diário, às vezes gostoso, às vezes um pouco sofrido, mas sempre importante.
Nada me ensinou mais sobre diversidade (e respeito à ela) do que ser mãe de Teresa e Julieta. Lembro de que quando eu estava grávida da Tetê, umas das coisas que mais me deixava curiosa era saber como ela seria. Como seria a misturinha entre eu e o Rico. Como é que esses genes e personalidades tão diferentes iriam se combinar, gerando um terceiro ser. Era uma piração deliciosa e um exercício de adivinha inútil. Quando ela nasceu, com cheirinho de shiitake na cabeça (sim, o cogumelo), lembro do espanto de ver aquele rosto, totalmente desconhecido. Na hora o Rico falou "ela parece com o seu pai". (Aqui um parênteses: minha mãe sempre falou que o bebê nasce com a cara de alguém mais velho da família. Vai saber...). Logo depois do parto, Tetê chorava bem baixinho, como num lamento. E assim foi, um bebê sempre mais para o calmo, uma criança contemplativa, concentrada, muito sociável e doce. Suave.
Quando Teresa estava com 1 ano, me descobri grávida de novo, meio no susto. Logo descobrimos que viria mais uma menina. Foi inevitável passar a gravidez toda imaginando uma Tetê 2. Afinal, não era esse o resultado da mistura? Tudo caiu por terra às 5h58 do dia 18/11/2008. Quando dei à luz um serzinho vermelho, muito vermelho, que chorava à plenos pulmões, sem nenhuma discrição. Olhei seu rosto e não reconheci. Como assim ela não parece com a irmã? Pos é, elas não têm nada em comum, nem na aparência e nem na personalidade. Cuca (como chamamos Julieta) sempre foi um bebê espivitado que fez tudo cedo: andou, falou, tirou a fralda e a chupeta. Tem pressa, não para quieta. Intensa!
Mas digo para vocês que assim é que foi bom. Aprendi a tratar cada uma como um indivíduo. E daí que são duas meninas, filhas do mesmo pai e da mesma mãe, com apenas 1 ano e 9 meses de diferença de idade? Uma precisa de firmeza, a outra de suavidade. Tive que rever o conceito de justiça que eu tinha. Se eu faço para uma, tenho que fazer igual para a outra? Não necessariamente. É claro que os princípios para educá-las são os mesmos, muda o jeito, a forma. E é rico, é diverso, ensina e me faz uma pessoa mais sensível.

07 fevereiro 2012

Escola nova

Teresa e Julieta começaram ontem na escola nova. Decidimos colocá-las em uma escola perto de casa, fundamental em São Paulo, e que vai até o colegial.
No ano passado, quando decidimos pela mudança, fomos orientados a não ficar falando muito com as meninas sobre isso. Afinal, para as crianças, o tempo passa diferente. Imaginem a ansiedade esperando um evento que vai acontecer daqui a 6 meses? Aliás, o que são 6 meses para quem ainda não tem exata noção do que seja ontem e hoje?
Mas, é claro, fomos preparando a transição. Sair de uma escola pequena, que a Tetê frequentava desde 1 ano e Julieta desde os 2, para uma escola bem grande é uma mudança e tanto. Na escolinha em que estavam tudo era mais caseiro, desde o lanche até as instalações. As classes eram menores, com poucos alunos e confesso que isso me dava bastante segurança. Que mãe não quer que seu filhote seja tratado com toda a atenção e carinho? Ainda mais quando são pequenos.
Mas, aí é que está. As crianças crescem e começam a demandar novas experiências, desafios e outras formas de cuidado. Então, chegou a hora. E dá-lhe planejamento para fazer tudo da forma mais tranquila possível!
Julieta, que tem um vocabulário incrível, mas dificuldade em falar alguns vocábulos foi fazer fono. Eu ficava com o coração apertado imaginando ela tentando se comunicar na escola nova e ninguém entendendo. Mais, pensava que isso poderia atrapalhar sua adaptação, fazê-la ficar tímida e envergonhada (para quem a conhece, inimaginável!).
Com a Teresa, que é super safa e sociável, minha preocupação era outra. Ela estava há 4 anos com a mesma turminha. Uma criançada que ficou tão amiga que terminou por juntar as mães também. Uma mulherada animada, com bom papo e que adoro. Aqui, um parênteses: eu também estava sofrendo com essa mudança... Não queria que Tetê deixasse de conviver com os amigos e também queria continuar fazendo parte do grupo das mães.
Para resolver essas questões de ordem afetiva, fizemos uma grande festa de aniversário para Teresa e Julieta e convidamos todos os amiguinhos da escola e seus pais. Foi como uma despedida alegre. Tetê também quis fazer um retrato de cada colega e no verso coloquei nossos contatos.
Já no começo do ano chegou a hora das meninas conhecerem a nova escola. A visita foi ótima, elas ficaram admiradas com tanto espaço e com um guarda-roupa cheio de fantasias. Depois, só falavam nisso. Aproveitei o mês de janeiro para envolvê-las nos preparativos, compra da lancheira, escolha do lanche, etc.
Até que o grande dia chegou! Ontem, fui levá-las e começamos a adaptação. Adaptação que nada! Elas saíram correndo, queriam conhecer logo os colegas e as professoras. Ficaram super bem, Julieta só 2 horas e Tetê já o período inteiro. Hoje, faremos o mesmo esquema. Estou feliz por poder estar lá com elas. Já conheci algumas mães bem legais. Sinto firmeza no projeto pedagógico da escola e estou segura de que escolhemos bem. Claro, ainda é lua de mel. Mas tudo começou muito bem.

06 dezembro 2011

E festinha dá ressaca? Opa!

E como prometido, lá venho eu escrever sobre a ressaca da festinha. Notem que tive que esperar um dia para escrever. Porque o dia seguinte é o dia da ressaca em si.
Então, vamos lá do começo. Domingo era o grande dia. A festa estava marcada para às 10 da manhã, horário anti-chuva. O pessoal do buffet, super profissional, tocou a campainha às 7 da matina. Sim! Afinal, tinham que preparar os salgados, gelar as bebidas, arrumar tudo. E eu tinha deixado a decoração para o dia, porque queria enfeitar o jardim e fiquei com medo que chuvesse na véspera e tombasse tudo. Então vocês podem imaginar que lá pelas 8 da manhã a casa parecia um campo de guerra. Todo mundo correndo de um lado para o outro, atividade total. No meio disso tudo, as duas menininhas mais fofas do mundo, Teresa e Julieta, puxavam assunto com todo mundo: "sabia que hoje é a minha festa?", "porque você está usando essa luva?", "posso comer um docinho?".
Misteriosamente, às 10h05 estava t-u-d-o arrumado, eu estava de banho tomado e penteada, as meninas com seus vestidos (a Cuca não quis usar o vestido novo nem por um decreto e passou a festa vestida de Branca de Neve!) e a casa linda. Nessa hora, eu abracei o Rico e falei "amor, muito obrigada por não se separar de mim a cada véspera de festinha, eu sei que estava intratável!"
Eu poderia ter relaxado, né? Háháhá. Que nada! Como o dia estava lindo (Santa Clara e São Pedro foram muito perturbados, coitados), minha preocupação era a mais juvenil possível: "ai, acho que não vem ninguém..." Sempre acho isso e olha que sou macaca velha de festas, adoro receber!
Corta! Cena seguinte: a camapainha começou a tocar, o povo a chegar e o jardim foi enchendo, ficando colorido e muito animado. Passei a respirar, receber os queridos e consegui tirar até umas fotos. Foi só aí, lá pelas 11 e meia que relaxei e passei a curtir a festa. O mais importante era que Teresa e Julieta estavam aproveitando muito, com sorriso de orelha a orelha. E aí foi, nem vi o tempo passar. Quase não comi, bebi um pouquinho e de repente chegou a hora do parabéns. Epa, peraí, cadê as velinhas? Siiiim, no meio de tantos preparativos, eu havia esquecido desse pequeno detalhe. Mas, a Santa Dedi, babá incrível das meninas, lembrou de umas velinhas que estavam guardadas lá no fundo do armário. Ufa, "parabéns pra você, nessa data querida...". Uma cena engraçada da hora do parabéns foi a do batalhão de amigos fotógrafos, empunhando máquinas, iphones e afins. Quantos clics, nossa!
Depois do parabéns, parece que tem uma etiqueta oculta das festinhas que diz que as pessoas têm que começar a ir embora. Não sei porque, mas é assim, a hora do bolo é o gran finale! Mas, tivemos uns amigos e familiares que ficaram ainda no bate papo até às 5 da tarde.
Quando todos se foram, sobramos nós, os 4. As meninas esravam exaustas, a casa aquela bagunça: papel de presente pra todo lado, docinho esmagado no chão, várias coisas que nem sabíamos de quem era (aliás, ficou por aqui um óculos escuro, alguém???). Eu estava tão cansada que deitei lá pelas 7, com a desculpa de contar histórinha para a Cuca e... dormi. Acordei meia noite, sem entender nada. Como assim, a festa acabou, foi todo mundo embora? Puxa, tão rápido...
E no dia seguinte, o famoso da ressaca, eu sentia dores pelo corpo, em lugares estranhos, como se tivesse corrido uma maratona! Mas o dia da ressaca é também uma delícia!!! Hora de olhar com calma todos os presentes que as meninas ganharam (e foram muitos e lindos), organizar a caixa de doações (amigos queridos, obrigada! A caixa ficou cheia!) e receber um monte de parabéns pela festa!
E não é que já estou pensando nas próximas? Mãe é tudo louca...

01 dezembro 2011

Tensão Pré-Festinha

No meu último post falei sobre TPM e hoje vou falar sobre TPF, a tensão pré-festinha.
Que atire o primeiro brigadeiro (se for de copinho não, pode machucar) a mãe que nunca sentiu essa tensão! Mesmo se delegamos tudo ou contratamos um buffet (opção que nunca fiz), os preparativos são infinitos: escolher o local, reservar a data e o horário, pensar no convite, escolher a decoração e se for louca como eu, dar um pulinho ali na 25 de março para comprar. A lista continua: escolher, quando não preparar, comes & bebes, pensar na recreação para as crianças, mandar os convites por email para os pais e um de papel para os amiguinhos da escola (o que envolve até uma gráfica rápida!). Decidir se vai ter foto, uma atração (mágico, oficina, contação de histórias...) e claro, ver o que cabe no orçamento.
Falando assim, parece que eu não gosto da função e não é nada disso! Tanto gosto que, todo ano, duas vezes por ano, faço festa para as minhas filhas e sou da old school! Gosto de fazer festa em casa, ou pique nique no parque, ou como já fiz em época de reforma, recorrer ao salão de festas do prédio da vovó. Neste ano, não sei se para simplificar ou enlouquecer de vez, vamos comemorar com uma só grande festa o aniversário de Tetê e Cuca. E resolvi escrever esse texto porque estou no auge da minha TPF!!! Mesmo planejando a festinha com antecedência, vai chegando perto e parece que tudo ainda está por fazer. E tenho medos recorrentes: vai faltar comida, vai chover, não vem ninguém... Aliás, inicio a corrente "Rezem para Santa Clara e São Pedro por um domingo de sol". Agradeço antecipadamente!
Mas, apesar da TPF não abro mão de comemorar o aniversário dos meus maiores tesouros e também me divirto. Penso no tema da festa, na cartela de cores, escolho a roupa que elas vão usar. E sou recompensada com a alegria delas no grande dia, recebendo os amigos, abrindo presentes, brincando sem parar!
Depois escrevo para vocês sobre as cenas do próximo capítulo: a ressaca pós festinha infantil.

13 novembro 2011

Carta às minhas filhas

Queridas Teresa e Julieta,

mamãe queria começar essa carta com um pedido de desculpas! Afinal, ninguém merece uma mãe de TPM. Ih, mas peralá, acho que vocês nem sabem o que é TPM, né? Essas 3 letrinhas são as iniciais das palavras Tensão Pré-Menstrual. Mas, como vocês ainda são muito pequenas, a mamãe vai começar explicando o que é menstruação. Todos os meses o corpo das mulheres - calma, ainda falta tempo pra vocês - se prepara para receber um neném. Como nem todo mês engravidamos, o ninhozinho onde o bebê ia ficar dentro da nossa barriga se desfaz e é aí que sangramos. Perto dessa hora, algumas mulheres (serão quase todas?) sentem alguns sintomas físicos como dor de cabeça, inchaço, cólica, vontade de comer doces (mais, né?)... E também sintomas emocionais como irritação, tristeza, mau humor, cansaço...
Até pouco tempo atrás, mamãe achava que era imune à esses males. Mas não é que de uns tempos pra cá, começou a observar que sempre que estava muito sem paciência com vocês, dali há pouco a danada chegava (ela, a tal menstruação).
Olha, perceber é uma coisa, conseguir mudar é outra bem diferente. A mamãe bem que tenta respirar fundo, se acalmar, mas é muito difícil. Tenho amigas que sofrem até bem mais, por isso nem reclamo tanto.
Outro dia, conversando com uma amiga querida que não pode menstruar, e faz um tratamento para isso, fiquei pensando em vocês. Como será quando vocês crescerem? Será que já terão descoberto um jeito de passarmos melhor por esse período? Eu torço para que fique só a parte boa: é da natureza das mulheres e é isso que nos possibilita engravidar e colocar no mundo amores como vocês, tesouros da mamãe. Até algum médico ou cientista descobrir essa fórmula mágica, prometo que vou tentar me controlar e peço para que tenham paciência comigo, afinal são só uns diazinhos, né?

Com o amor da mamãe, Flor

25 outubro 2011

Presente!

Refletir, refletir, refletir... eis o que faço desde que ouvi algumas falas do Contardo Calligaris, psicanalista, ontem, no esquenta do prêmio Trip Transformadores. Ele e o neurocientista Miguel Nicolelis discutiram sobre o futuro. O que esperar dos próximos 25 anos? (A Trip está comemorando 25 anos, eis o gancho para o número).
Contardo, à respeito do futuro, quer mais é que os pais ensinem aos filhos a viverem no presente. E jogou a bomba: se a vida do seu filho acabasse hoje, você poderia afirmar que ele foi feliz em sua existência, ou você só estava preocupado com o seu futuro? Ele questionou a cobrança excessiva que os pais têm à respeito da performance dos filhos.
Na hora, me lembrei de uma reunião da qual participei para conhecer o projeto pedagógico da nova escola de Teresa e Julieta. Uma dupla de pais ficou o tempo todo perguntando como a escola preparava os alunos para o vestibular, para o mundo competitivo, etc. Detalhe, a reunião tratava do ensino de crianças de 3, 4 e 5 anos! Outra preocupação do psicanalista é o fato de os pais, cada vez mais, medicarem seus filhos com psicofármacos. Parece normal, já que os adultos tomam pílulas pra tudo (dormir, acordar, relaxar, transar, não sentir dor - física ou emocional). Mas é mesmo assustadora a quantidade de crianças que, supostamente, tem algum transtorno ou déficit. E dá-lhe remédio! Segundo Contardo, esses medicamentos não são de uso pediátrico e não foram realizados testes suficientes para prever seus efeitos em cérebros ainda em formação. Que medo!! (Também ontem, Eliane Brum tratou disso em sua coluna, vale muito a leitura)
Mas nem tudo é tragédia, mesmo com seu jeitão mais taciturno, Calligaris acha que o mundo hoje é melhor do que 25 anos atrás e espera que fique ainda melhor nos próximos 25! Como mãe de duas infantas, quero muito, muito, acreditar que ele esteja certo!

17 outubro 2011

O futuro não é mais como era antigamente

"Mamãe, isso é de antigamente?" Agora, ouço essa pergunta e variantes, muitas vezes ao dia. É que a turma da Teresa está participando de um projeto chamado "Em outros tempos", na escola.
O projeto é muito legal. Toda semana um vô ou vó dá um pulinho na classe para contar aos pequenos do que brincavam quando eram crianças. É até gozado, a pessoinha de 4 anos está totalmente encantada com os brinquedos de ontem, como bonecas de pano, 5 marias, iô-iô, pião e bolinha de gude. Também fazem muito sucesso brincadeiras de rua: passa-anel, cabra-cega, esconde-esconde, dono da rua, amarelinha, pular corda. E as brincadeiras de rua eram na rua mesmo! Não dentro da escola ou dos condomínios.
Os avós também contam que antigamente havia venda e quitanda, as casas tinham quintal e as ruas eram bem mais sossegadas. Tetê já percebeu que o mundo mudou bastante desde o tempo desses relatos. Também está super atenta a fotos P&B ("são de antigamente, né mamãe?").
Eu aproveito o gancho para frear um pouco a sede consumista das minhas filhotas. Se dá para fazer bola de meia para jogar futebol, como contou um avô, pra que comprar uma? Não é um barato poder brincar só com o próprio corpo e poucos apetrechos improvisados? As avós brincavam com bonecas de pano e usavam as coisas da casa para brincar de casinha. Certamente não tinham uma super cozinha de plástico, que tem pia que sai água de verdade. Mas quem precisa disso para se divertir??
Não é que eu esteja saudosista, mas que o mundo era mais simples, áh isso era! E não precisa ir até o "tempo dos avós", minha infância foi mais simples também. É que o mundo está acelerado e às vezes é difícil lidar com essa nova geração Z (bem essa, dos nossos filhos), os nativos digitais. Tudo rápido, mudando a todo instante, muita liberdade virtual e pouca real.
Então, quando aparece um projeto como este da escola, fico feliz com essa oportunidade que Teresa está tendo de conviver com os avós (os dela e os dos amiguinhos). Eles são como uma biblioteca, cheios de conhecimento e amor pra dar. Quem teve a sorte de conviver com os seus, sabe! Além do carinho incondicional que eles têm pelos nossos filhos, como não se sentem na obrigação de educar e dar limites, mimam à vontade!
Aproveito o post para dizer que Tetê e Cuca são muito felizardas no quesito avós. Ontem mesmo, estavam em casa com a minha mãe, que foi nos render para que pudéssemos sair, eu e Rico, para jantar romântica e sossegadamente a dois! Pra mim, quando elas estão com a minha mãe, estão com Deus, fico realmente sossegada.

04 outubro 2011

A agenda social das crianças

Durante a semana, nossa vida é aquela correria. Ficamos quase que fazendo uma contagem regressiva para chegar o final de semana, quando, supostamente, vamos poder fazer n-a-d-a. Mas toda sexta-feira, um choque de realidade se abate sobre mim quando o Rico pergunta: "qual a programação do fim de semana?". Não sei se na casa de vocês é assim, mas me parece que a "agenda" é sempre uma função feminina. Enquanto vou enumerando os aniversários e eventos, vou me dando conta de que, muito provavelmente, na segunda-feira vou é sentir que estou descansando no trabalho.
E sabe o que é que ocupa boa parte do nosso fim de semana?? A agenda social de Teresa e Julieta. Neste último, tinha sábado de atividades na escola e no domingo, dois aniversários, um de amiguinho da Cuca e outro de amiguinho da Tetê. No mesmo horário. E aí, faz como?? Bom, aproveitando que a minha caçula ainda é "enrolável", faltamos na festinha dela e fomos na pizzada do amigo da Tetê. Por enquanto dá para fazer isso. E elas ainda estudam numa escola pequena. Imagina no ano que vem, quando vão mudar para uma escola maior e cada uma vai ter mais de 20 coleguinhas na classe?? Faça as contas: quase 50 aniversários por ano!!!
Chocada com esta constatação, perguntei para uma amiga que tem 3 filhos como ela faz. Fiquei cansada só de ouvir. É um tal de leva um num aniversário, volta, pega o outro leva não sei onde, depois a vó busca o terceiro, enquanto o pai volta pra casa com o caçula e por aí vai. Gincana total!
É claro que já me pus a pensar se tem que ser assim mesmo e aí venho correndo para cá, compartilhar essas dúvidas com vocês. Nossos filhos são seres sociais, começam a desenvolver seu círculo de amizades e tal - e é uma delícia vê-los interagindo e se divertindo com os amigos. Mas, dependem de nós para irem à qualquer lugar, não tem autonomia para ir e vir. E no fim, estamos fazendo da agenda deles a nossa! Mas há de ter um limite, não? Ainda estou aprendendo, ainda me sentindo a mulher elástica, tentando dar conta de tudo. E ainda sonhando com não fazer NADA!

20 setembro 2011

Mãe, esse ser chato ou Educar dá trabalho mesmo!

"Recolha os brinquedos do chão", "não fala de boca cheia", "peça por favor", "diga obrigada", "não implique com a sua irmã". Eu às vezes me sinto um disco (nossa, disco é das antigas, hein?) quebrado, repetindo sempre as mesmas frases, várias vezes ao dia. Muitas vezes me ouço repetindo essa ladaínha e me acho muito chata, insuportável mesmo.
Na verdade, eu gostaria de ficar só falando coisas fofas e carinhosas para as minhas filhas o tempo todo, fingir que não vejo as traquinagens e mal feitos. Mas não tem jeito. Mãe tem que educar e educar dá um trabalhão. E as crianças aprendem pela repetição e, claro, observando os adultos, principalmente os pais. De nada adianta ficar pedindo pra criança dizer a tal palavrinha mágica, se nós mesmos não usarmos o por favor, obrigada, agradecida, bom dia, como vai?.
Hoje, lendo um artigo (só para assinantes do UOL) da Rosely Sayão, que versava sobre isso, me bateu de novo esse questionamento. Será que é possível educar sem ser tão chata? Eu não quero delegar a educação das minhas filhas à ninguém, nem à escola. E tenho horror de criança mal educada, que não pode frequentar os lugares, sabe? Por outro lado, passo muitas horas do meu dia trabalhando, longe das meninas. Quando chego em casa, lá pelas 8 da noite, morrendo de saudade, é hora de botar pra dormir, lendo uma histórinha. E não é que antes disso, tem sempre a parte "educativa": "arrumem os brinquedos", "vamos escovar os dentes", "chega de bagunça", "já pra cama!".
No fim de semana, quando o convívio é mais intenso, a porção mãe chata dobra! É quando podemos observar como estão os hábitos à mesa, o trato com as pessoas, etc. E vou confessar, saio do fim de semana bem cansada, mas com sensação de missão cumprida (pelo menos em parte, porque essa função não vai acabar nunca, né?).
Mas ainda sonho com uma forma de educar mais suave e menos chata. Quem tiver a dica, que compartilhe!

06 setembro 2011

Costurando com as filhotas!

Tive uma manhã deliciosa, costurando com as meninas! Sim! Descobri a Love Blankie, um ateliê que dá aulas de costuras para crianças. Gente, é um barato! Tetê e Cuca chegaram lá e logo piraram com a quantidade de tecidos e possibilidades de combinação entre eles. Tetê escolheu um floral marrom e laranja e combinou com um xadrezinho laranja (tem bom gosto a danada!). A Cuquinha gostou de um tecido de bonecas, que tinha bastante amarelo e turquesa e fez a composição com um tecido amarelo de bolinhas coloridas, ficou bem divertido. Como elas ainda são bem pequenas, escolhemos fazer um modelo simples: tomara que caia, com faixa na cintura e um babado na barra do vestido. Elas começaram cortando o tecido. Na verdade, rasgando, né? Parte que a Cuca adorou! Depois, hora de ir para a máquina costurar. A "professora" vai segurando o tecido e o papel das crianças é acelerar o pedal da máquina. Depois, ajudam a passar elástico, virar as faixas, uma farra. E quando a roupa ficou pronta, a cara delas foi impagável, um misto de orgulho com sorriso de princesa já se imaginando dentro do vestido.
Não preciso dizer que adorei e fiquei com vontade de passar o dia todo lá, costurando e conversando, o que deve ter um efeito bem terapêutico, né? Pra quem se animar, descobri que as mães também podem marcar hora - com amigas, melhor ainda - e se aventurar pelo mundo das agulhas, linhas e passamanarias. Qualquer sábado destes eu vou!
A descoberta deste ateliê veio bem a calhar. Dona Teresa está numa fase super consumista, todo dia é a mesma ladainha: compra isso?, quero aquilo!, você não trouxe nenhum presente hoje!. Foi legal levar a pequena para um lugar onde é possível fazer a própria roupa, ver o tempo que isto leva, que dá trabalho, mas também muito prazer e realização. Acho que é um bom jeito de ensinar o valor das coisas. E quanto valor agregado tem uma roupa que ela ajudou a fazer, não?

22 agosto 2011

Cultura para a criançada!

Este foi um fim de semana super cultural para as meninas lá de casa! No sábado, fomos conhecer o site da Stela Loducca, uma publicitária que depois da maternidade resolveu abandonar as jornadas malucas das agências para curtir mais o filhote. Vocês que me conhecem sabem que de cara já me identifiquei, né? Como ela já tinha a missão de incentivar as crianças a ler, resolveu criar o site O pequeno Leitor. A ideia surgiu quando ela participou de um trabalho de incentivo à leitura com crianças pequenas, em um projeto social. Lá, percebeu que a falta de incentivo a leitura pode gerar, nas crianças, dificuldade em se expressar, falta de vocabulário e impacto negativo no desenvolvimento do potencial cognitivo. Bem grave, né?
Fiquei pensando que nossos filhos, às vezes super estimulados, estarão muito mais preparados para a vida, em geral, do que as crianças que não têm acesso a livros. Mas como fazer essa garotada criar o hábito de ler? Muitas vezes na periferia, ou nos bairros mais pobres não tem uma biblioteca sequer! Áh, mas lan house tem, e de monte! Por isso a Stela, espertinha, criou um site! E se vocês derem uma navegada com seus filhotes, vão perceber que ele é super interativo e divertido para a garotada. O portal usa histórias animadas, jogos de interpretação de textos e brincadeiras para enriquecer o vocabulário. Lá, estão várias histórinhas criadas pela Stela, geralmente inspiradas em fatos cotidianos, que envolvem o filho dela. Outra coisa muito bacana, é a possibilidade de cada criança criar suas próprias histórias, a partir de desenhos que já estão no site. É como se a criança fosse criando uma legenda para o que está vendo. Depois, com moderação dos pais, é possível publicar no site e deixar acessível para outras crianças!
Mas eu falei em fim de semana cultural, né? Pois é, no domingo, não sei se vocês lembram, estava um frio com chuva tenebroso, mas Tetê e Cuca estavam com a corda toda! Eu e o Rico logo pensamos: cinema! Descobrimos uma sessão, às 11h da manhã, no Cinesesc. Chegando lá, para nossa surpresa, a sessão era gratuita. E mais, todo santo domingo, este projeto chamado Cineclubinho, exibe filmes para a garotada. A partir das 10h já é possível retirar o ingresso e ficar por lá, brincando com palhaços, contadores de histórias e outras milongas mais. Não é demais?
PS: A semana começou tão corrida, que só agora parei para compartilhar essas "descobertas" com vocês!

09 agosto 2011

Os pais, nossos parceiros!

Por conta do meu trabalho na Pais&Filhos - e que delícia trabalhar com um tema de que tanto gosto! - passo o dia vendo notícias bizarras, curiosas, engraçadas e tristes sobre maternidade, família, filhos. É tanta coisa, mas tanta coisa, que me faz até escrever pouco neste espaço. Porque fico pensando na relevância do que escrevo e não quero ser mais uma a soterrar os leitores com achismos e informações inúteis.
Mas, em datas, tudo muda de figura. E como estamos nos aproximando do dia dos pais, fiquei com vontade de escrever sobre eles. Esses pais incríveis de hoje (já me derramei em homenagens em outro post, ao meu marido Ricardo Calil, pai das minhas filhotas e ao meu próprio paizão, por quem sempre fui apaixonada!) são dignos de nota!
Além deles participarem muito mais da criação dos filhos, botando a mão na massa, trocando fraldas, dando comida, agora resolveram falar e escrever sobre o tema.
Tenho dito a todas as minhas amigas mães que prestem atenção no que eles estão dizendo e sentindo. Já que eles estão se expondo mais, vamos aproveitar e aprender sobre uma maneira diferente, mas não menos amorosa e importante, de pensar sobre a criação dos nossos rebentos.
É fato, eles são menos complicados e não carregam tanta culpa. São práticos e podem nos ajudar quando precisamos tomar decisões como voltar ao mercado de trabalho. O Rico me ajudou muito. Tanto me apoiando psicologicamente, me dizendo que eu não seria uma mãe pior por ficar menos com as meninas, quanto ajudando na parte prática. Hoje, é ele o responsável por buscar as meninas todos os dias na escola, por exemplo.
Quando nos abrimos para entender que o outro (no caso o pai) pensa diferente da gente, mas não julgamos isso como melhor ou pior, todos saem ganhando. Afinal, com o mundo corrido e maluco como está, o pai e a mãe tem que formar uma dupla dinâmica. Nossos filhos merecem isso, serem criados com coerência, com pais e mães que se respeitam e são complementares. Já dizia a canção, "todos juntos somos fortes, não há nada pra temer".
Gostaria de encerrar esse post recomendando os livros de dois amigos, pais, que abriram o coração e resolveram botar no papel suas ideias sobre paternidade:
"Como nascem os pais" já é a segunda incursão do Renato Kaufmann sobre o tema (o primeiro livro é o hilário Diário de um grávido) e será lançado nessa quarta (10), na livraria da Vila, da Fradique Coutinho.
José Ruy Gandra lançou ontem (8), na Livraria Cultura, o livro inspirador Coração de pai - Histórias sobre a arte de criar filhos.
Vale a pena dar de presente para o seu pai, ou o pai dos seus filhos. E claro, dar uma roubadinha para ler!

18 julho 2011

As crianças são seres da natureza - e não, eu não sou uma mãe hippie!

Semana passada estive na abertura do fórum "Cidades, bicicletas e o futuro da mobilidade", que discutia, com a presença do David Byrne, basicamente, alternativas para salvar São Paulo do caos total, pelo excesso de carros. Leia aqui a pequena cobertura que fiz para o site da Pais&Filhos. Saí do fórum com a cabeça a mil, dividida entre pegar o primeiro avião e voltar para o Rio - minha cidade preferida, quem me conhece sabe - ou arregaçar as mangas e tentar viver melhor nessa cidade, onde tenho meus laços afetivos. Como ainda não tem pozinho de pirlimpimpim pra vender no mercado, me parece que a atitude mais razoável é ficar em São Paulo e tentar fazer desta uma cidade ok para se viver. Ou pelo menos, aproveitar o que ela possa nos oferecer de bom! E não é só cinema, teatro, show e programação indoor.
Pensando nisso, no sábado, levamos as meninas para passear numa dessas fazendinhas, na Granja Viana. É surpreendente constatar, apesar da modernidade tentar nos fazer esquecer, que somos bichos também! As crianças simplesmente enlouquecem com o espaço livre e os animais! Também pudera, acostumadas à dupla gato e cachorro, pegar um coelho no colo (ou tentar morder a pata dele, como fez a Cuca!)parece uma grande aventura.

Constatei, não sem certo espanto, que minhas filhas são totalmente destemidas! Não estão nem aí se recebem lambida de cavalo, ou se uma cabra tenta mastigar sua roupa! (Isso aconteceu com a Cuca e ela passou o resto do fim de semana, contando para quem encontrava: "a caba modeu minha ropa"). Elas ficaram tão felizes e encantadas com esse contato com a vida "selvagem", que só nos restou, além de babar, fotografar cada passo delas.
Como mãe, acho que tenho obrigação de proporcionar às minhas filhas o maior contato possível com a natureza. Já que vivemos nessa cidade super poluída e com espaço público restrito, o lance é viajar sempre que possível, nem que seja por dentro da própria urbe.

22 junho 2011

O que nos motiva a ter filhos?

Hoje, li a notícia de que nasceu, em Curitiba, o primeiro bebê gerado com o sêmem de um pai morto. A história é a seguinte: um casal estava tentando engravidar há 3 anos. O homem descobriu um câncer e, antes de iniciar o tratamento, congelou o sêmem. No início de 2010 ele faleceu e a mulher não desistiu da ideia de ter um filho dele. Mas, a Resolução 1.385, do Conselho Federal de Medicina (CFM), de 1992, que trata da ética na utilização de técnicas de reprodução assistida, impedia que a inseminação artificial fosse feita, porque o homem não havia deixado uma autorização por escrito, dizendo que suas células poderiam ser utilizadas para esse fim. Bom, a mulher teve que provar, na justiça, que essa era a vontade dele em vida e assim conseguiu fazer o procedimento e deu à luz uma menina, no início da semana.
À parte toda a discussão ética, fiquei matutando sobre a motivação dessa mulher. Sim, ela queria ter um filho com aquele homem, estavam casados e tentando engravidar. Mas ele morreu e ela levou adiante o projeto. Colocou na menina o nome do pai e já declarou que a bebê é a cara dele. E, para mim, o mais assustador, disse que a filha significava um novo começo de vida para ela. Claro que comecei a pensar no que nos motiva a ter um filho. É justo com a criança que vai nascer já vir carregando o peso de ser um recomeço de vida para a mãe? Afinal, porque temos filhos?
Eu mesma, quando me pego com vontade de ter o terceiro filho (e as vezes ela vem muito forte, porque acho que filhos são a melhor coisa da vida), me faço essas perguntas. É uma decisão racional, ou um desejo que vem do coração? É um ato egoísta? Uma determinação biológica? Uma cobrança social??
No meu caso, que sempre quis ser mãe, mas sou bem racional, ter filhos pressupunha ter um companheiro muito legal, certa maturidade e estabilidade. E, quando nasceram minhas filhas, tive a certeza de que elas só poderiam ter sido fruto daquele relacionamento, daquele amor, daquele momento de vida. Mas me surpreendeu a demanda emocional que a maternidade traz. Quando desejo ter mais filhos logo penso se seria capaz de dar conta de mais um, de dar a atenção que essa criança merece. Ainda não cheguei a nenhuma conclusão.

10 junho 2011

Trabalho novo, rotina nova

Tsc, tsc, tsc. Mais de um mês sem escrever nesse espaço tão querido. Não foi abandono nem pouco caso. Foi é muuuuuito trabalho. A vida deu uma daquelas guinadas e agora sou a nova editora do site da revista Pais & Filhos. Feliz da vida com o novo desafio e mais atenta do que nunca a todos esses temas que adoramos e fazem parte do nosso dia-a-dia. Mas vocês podem imaginar como a minha rotina mudou, né? Ainda estou me adaptando, minhas filhotas também. Agora, não dá mais para levar e buscar na escola todo dia, como sempre fiz. Nem levar no ballet, natação e yoga. Ou dar banho e almoço... Acompanhem a logística: venho para a editora de manhã cedo. Volto para casa na hora do almoço para engolir alguma coisa e pegar as meninas. Levo na escola. Deixo o carro num estacionamento perto do trabalho. O Rico sai correndo do trabalho às 17h e pega as gatinhas na escola. As deixa em casa e volta para o trabalho. Ufa, cansaram? Mas por enquanto é isso. Elas ainda são pequenas e não tenho coragem de colocá-las na perua escolar. Além disso, gastar a minha hora do almoço para levá-las na escola faz com que a saudade diminua um pouquinho. Depois é torcer para chegar em casa com elas ainda acordadas. Geralmente chego perto das 20h, corro para lavar a mão. Julieta logo diz "mamãe, você vai lavar a mão porque andou de 'ômbilus'?". Aí, ignorando a fome e o cansaço, vou ler histórinhas até elas dormirem. Depois, junto os caquinhos, vou preparar uma coisinha para comer com o Rico, contar as novidades do trabalho, repercutir notícias, etc. E lá se foi mais um dia. Mas, querem saber o resumo da ópera? Estamos nos saíndo super bem! Agora meu novo mantra é: qualidade é melhor do que quantidade. Fico menos com as meninas, mas aproveito cada segundo, com todo meu amor e minha atenção.