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07 fevereiro 2012

Escola nova

Teresa e Julieta começaram ontem na escola nova. Decidimos colocá-las em uma escola perto de casa, fundamental em São Paulo, e que vai até o colegial.
No ano passado, quando decidimos pela mudança, fomos orientados a não ficar falando muito com as meninas sobre isso. Afinal, para as crianças, o tempo passa diferente. Imaginem a ansiedade esperando um evento que vai acontecer daqui a 6 meses? Aliás, o que são 6 meses para quem ainda não tem exata noção do que seja ontem e hoje?
Mas, é claro, fomos preparando a transição. Sair de uma escola pequena, que a Tetê frequentava desde 1 ano e Julieta desde os 2, para uma escola bem grande é uma mudança e tanto. Na escolinha em que estavam tudo era mais caseiro, desde o lanche até as instalações. As classes eram menores, com poucos alunos e confesso que isso me dava bastante segurança. Que mãe não quer que seu filhote seja tratado com toda a atenção e carinho? Ainda mais quando são pequenos.
Mas, aí é que está. As crianças crescem e começam a demandar novas experiências, desafios e outras formas de cuidado. Então, chegou a hora. E dá-lhe planejamento para fazer tudo da forma mais tranquila possível!
Julieta, que tem um vocabulário incrível, mas dificuldade em falar alguns vocábulos foi fazer fono. Eu ficava com o coração apertado imaginando ela tentando se comunicar na escola nova e ninguém entendendo. Mais, pensava que isso poderia atrapalhar sua adaptação, fazê-la ficar tímida e envergonhada (para quem a conhece, inimaginável!).
Com a Teresa, que é super safa e sociável, minha preocupação era outra. Ela estava há 4 anos com a mesma turminha. Uma criançada que ficou tão amiga que terminou por juntar as mães também. Uma mulherada animada, com bom papo e que adoro. Aqui, um parênteses: eu também estava sofrendo com essa mudança... Não queria que Tetê deixasse de conviver com os amigos e também queria continuar fazendo parte do grupo das mães.
Para resolver essas questões de ordem afetiva, fizemos uma grande festa de aniversário para Teresa e Julieta e convidamos todos os amiguinhos da escola e seus pais. Foi como uma despedida alegre. Tetê também quis fazer um retrato de cada colega e no verso coloquei nossos contatos.
Já no começo do ano chegou a hora das meninas conhecerem a nova escola. A visita foi ótima, elas ficaram admiradas com tanto espaço e com um guarda-roupa cheio de fantasias. Depois, só falavam nisso. Aproveitei o mês de janeiro para envolvê-las nos preparativos, compra da lancheira, escolha do lanche, etc.
Até que o grande dia chegou! Ontem, fui levá-las e começamos a adaptação. Adaptação que nada! Elas saíram correndo, queriam conhecer logo os colegas e as professoras. Ficaram super bem, Julieta só 2 horas e Tetê já o período inteiro. Hoje, faremos o mesmo esquema. Estou feliz por poder estar lá com elas. Já conheci algumas mães bem legais. Sinto firmeza no projeto pedagógico da escola e estou segura de que escolhemos bem. Claro, ainda é lua de mel. Mas tudo começou muito bem.

07 outubro 2010

A vida secreta das crianças

Ontem, foi reunião de pais na Recreio, escola da Tetê, minha filha de 3 anos. Foi muito legal, encontramos outros pais, conversamos e ainda comemos uma pizza que as crianças tinham preparado especialmente para nós. Também pudemos ver os trabalhos que elas estão desenvolvendo, muitas fotos e vídeos. E assim descobrimos que elas tem todo um mundo do qual nós, pais, não fazemos parte! E não é uma questão de não querer participar, é um limite que a própria criança impõe. Eu me organizei para levar e buscar minha filha todos os dias na escola. Entro com ela, converso com as professoras e na saída sempre pergunto o que ela fez durante a tarde, muitas vezes a resposta é: “é segredo mamãe!”. Assistindo aos vídeos vejo uma menina bem mais independente e segura. Dá pra ver que as crianças de 3 anos já argumentam, respeitam combinados, fazem alianças com outras crianças para conseguir um objetivo. Ou seja, estão exercitando seu papel na coletividade. Estão virando cidadãos! No relato das professoras novas surpresas. Teresa, que em casa, só toma suco de uva, na escola prova outros sabores. Até suco de limão a danada toma! Outros pais também se surpreenderam com seus filhos. Eram comuns comentários do tipo “mas em casa ele não faz isso sozinho”, “eu não sabia que ela já lia o nome”, etc.
Claro que a reunião acabou e eu continuei matutando sobre o assunto. Acho muito positivo que as crianças possam ter o ambiente de casa, onde tem uma atenção mais exclusiva e se percebem como indivíduos, mas ao mesmo tempo, são bem mais mimadas. E acho fundamental o ambiente da escola, onde elas aprendem a compartilhar, atuar em grupo e tem menos espaço para manhas. Por isso é tão importante estabelecer uma parceria com a escola. Não devemos delegar o que é de nossa responsabilidade, mas temos que respeitar o trabalho desenvolvido nesse outro ambiente. E assim podemos continuar nos surpreendendo com os nosso filhotes e morrendo de curiosidade sobre suas vidas secretas!