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12 fevereiro 2011
Ranking das porcarias
Hoje, em uma festinha de criança, encontrei Bia Abramo, uma amiga querida, e conversa vai, conversa vem, lembrei de um fato, acontecido anos atrás. Eu morava no Rio e o Rico, meu marido, falou: “olha, estão aqui a Bia, o Hélio e o filhinho deles, o Félix. Vamos encontrar pra almoçar?”. Almoçamos no Braseiro da Gávea, delícia, e eu encantada com o Félix, 1 ano, loirinho, começando a andar. Eu já estava com vontade de ser mãe, então fiquei ali, brincando com ele, tirando uma casquinha. Depois do almoço, fomos comer a sobremesa no Chez Anne, no Shopping da Gávea, conhecido pelo seu mil folhas. Eu, que sou chocólatra, pedi a torta de chocolate e, sem pensar, peguei uma colherada e botei na boca do baby Félix, que imediatamente esboçou um sorriso e a cara de quem tinha provado a oitava maravilha do mundo. A Bia vira e fala: “é a primeira vez que ele come chocolate.” Na hora, eu queria que um buraco se abrisse no chão. Como assim eu não tinha perguntado para a mãe da criança se ela comia açúcar?? Enfim, coisas que não passam pela cabeça de quem ainda não tem filhos... Hoje, lembrando dessa história (Félix, lindo, do alto de seus 7 anos), eu e Bia ríamos quando ela vira e fala: “ ah, mas tem um ranking das porcarias, né? Chocolate é bom, alimenta.” Fiquei aliviada, por ela não ter ficado puta comigo, e me diverti muito com a frase. Ela seguiu dizendo: “olha, ele come bem pra caramba, verduras, frutas, prova camarão, tudo, mas come porcaria a beça!”. Outra mãe que estava com a gente emenda: “e batata frita? Batata frita é uma porcaria liberada, né?”. Todas concordamos: “ só se não for aquela batata de carinha, que não é nem batata...”. E por aí foi. E para vocês, existe um ranking das porcarias? Dá para liberar algumas coisas para os nossos filhos, sem avacalhar muito a alimentação?
26 janeiro 2011
Mini fashionista não, né?
Não sei quanto a vocês, mas quando eu era pequena não tinha essa história de escolher roupa não. A mãe comprava, vestia e pronto. E comprava duas vezes por ano, inverno e verão. Mas aí inventamos de sermos mães democráticas, de ouvir a opinião das crianças e lascou-se, está surgindo uma geração de mini fashionistas (está aí a Suri que não me deixa mentir). Medo.
Tenho um posto avançado de observação por ser sócia de uma loja infantil, a Mini Humanos. É bem verdade que os nossos clientinhos são muito legais, fazem combinações incríveis e realmente têm atitude. Dá gosto ouvi-los, perceber a lógica infantil na hora de se vestir e ver as misturas que eles propõe. Mas algumas mães entram na loja desesperadas relatando que a filha não quer mais usar calça, só saia. Detalhe, é inverno e está super frio. Outra diz que a filha só quer usar rosa. Outra que o filho só usa uma camiseta que lava e volta pro corpo, lava e volta pro corpo... Assim também não dá, né?
E aí me pego pensando em qual seria o caminho do meio. Não dá para obrigar uma criança a vestir o que ela não quer. Mas deixá-la com todas as escolhas do mundo deve gerar uma angústia danada (aliás, Roseli Sayão escreveu um artigo ótimo sobre isso ontem, no caderno Equilíbrio da Folha).
Aqui em casa tenho usado a “liberdade com limites”. Sim, eu deixo minhas filhas escolherem o que querem vestir. Mas coloco duas opções sobre a cama, já adaptadas ao clima e a ocasião em que as roupas serão usadas. Dentro desse universo, elas podem optar. E claro, tem artigos que são vetados e nem entram aqui, como sapatinhos de salto e essas roupas que deixam as meninas parecendo anãs.
Aproveito esse post para recomendar a leitura do blog da querida amiga Ivy, que entende tudo de moda infantil. É o bloguinho.
E viva criança vestida como criança!
Tenho um posto avançado de observação por ser sócia de uma loja infantil, a Mini Humanos. É bem verdade que os nossos clientinhos são muito legais, fazem combinações incríveis e realmente têm atitude. Dá gosto ouvi-los, perceber a lógica infantil na hora de se vestir e ver as misturas que eles propõe. Mas algumas mães entram na loja desesperadas relatando que a filha não quer mais usar calça, só saia. Detalhe, é inverno e está super frio. Outra diz que a filha só quer usar rosa. Outra que o filho só usa uma camiseta que lava e volta pro corpo, lava e volta pro corpo... Assim também não dá, né?
E aí me pego pensando em qual seria o caminho do meio. Não dá para obrigar uma criança a vestir o que ela não quer. Mas deixá-la com todas as escolhas do mundo deve gerar uma angústia danada (aliás, Roseli Sayão escreveu um artigo ótimo sobre isso ontem, no caderno Equilíbrio da Folha).
Aqui em casa tenho usado a “liberdade com limites”. Sim, eu deixo minhas filhas escolherem o que querem vestir. Mas coloco duas opções sobre a cama, já adaptadas ao clima e a ocasião em que as roupas serão usadas. Dentro desse universo, elas podem optar. E claro, tem artigos que são vetados e nem entram aqui, como sapatinhos de salto e essas roupas que deixam as meninas parecendo anãs.
Aproveito esse post para recomendar a leitura do blog da querida amiga Ivy, que entende tudo de moda infantil. É o bloguinho.
E viva criança vestida como criança!
10 novembro 2010
A criança e o consumo
Elas fazem 3 anos e começam com um papo de compra isso, compra aquilo. Mamãe me dá isso, EU QUERO!
Eu mesma quando pequena achava que cheque era uma coisa mágica... Quando eu pedia alguma coisa e meu pai falava que não tinha dinheiro eu logo mandava: “dá cheque, ué!”. O similar de hoje é o cartão. E ainda tem caixa eletrônico. Imagina que coisa mágica para a criança uma máquina que você enfia um pedaço de plástico e solta dinheiro!
Pra piorar, nossas crianças estão inseridas em uma sociedade de consumo barra pesada. É só assistir a qualquer canal infantil para se impressionar com a quantidade de propaganda, de lançamento de brinquedo, de lanche que dá brinde, etc. Para os pais fica realmente difícil, com tanto apelo, manter o mantra “ser é melhor que ter”. Mas é muito importante iniciar essa educação financeira o quanto antes. Nossos filhos não podem crescer achando que vão morrer se não tiverem todos os desejos atendidos. E também vão valorizar muito mais seus brinquedos e objetos se souberem que nosso dinheiro não dá em árvore, que dá um trabalho danado (literalmente) para ganhar.
Por tudo isso, acho que temos que conversar abertamente com os pequenos sobre esse tema. Fazer acordos e combinados também vale. A criança pede uma coisa que viu na TV? Primeiro cabe aos pais avaliar se o produto é adequado e se a criança está precisando. Depois é partir para a negociação. Tem alguma data especial se aproximando? Deixe para dar nessa ocasião. Resgatar a importância de poupar também é muito legal. Tá valendo cofrinho de porquinho, poupança no banco, o que for. Assim elas começam a curtir já o processo: juntar dinheiro, esperar a tal data e então, que delícia, finalmente ganhar o presente! E por último, exemplo é tudo, né? Só podemos ensinar aquilo que praticamos.
Eu mesma quando pequena achava que cheque era uma coisa mágica... Quando eu pedia alguma coisa e meu pai falava que não tinha dinheiro eu logo mandava: “dá cheque, ué!”. O similar de hoje é o cartão. E ainda tem caixa eletrônico. Imagina que coisa mágica para a criança uma máquina que você enfia um pedaço de plástico e solta dinheiro!
Pra piorar, nossas crianças estão inseridas em uma sociedade de consumo barra pesada. É só assistir a qualquer canal infantil para se impressionar com a quantidade de propaganda, de lançamento de brinquedo, de lanche que dá brinde, etc. Para os pais fica realmente difícil, com tanto apelo, manter o mantra “ser é melhor que ter”. Mas é muito importante iniciar essa educação financeira o quanto antes. Nossos filhos não podem crescer achando que vão morrer se não tiverem todos os desejos atendidos. E também vão valorizar muito mais seus brinquedos e objetos se souberem que nosso dinheiro não dá em árvore, que dá um trabalho danado (literalmente) para ganhar.
Por tudo isso, acho que temos que conversar abertamente com os pequenos sobre esse tema. Fazer acordos e combinados também vale. A criança pede uma coisa que viu na TV? Primeiro cabe aos pais avaliar se o produto é adequado e se a criança está precisando. Depois é partir para a negociação. Tem alguma data especial se aproximando? Deixe para dar nessa ocasião. Resgatar a importância de poupar também é muito legal. Tá valendo cofrinho de porquinho, poupança no banco, o que for. Assim elas começam a curtir já o processo: juntar dinheiro, esperar a tal data e então, que delícia, finalmente ganhar o presente! E por último, exemplo é tudo, né? Só podemos ensinar aquilo que praticamos.
03 novembro 2010
Viva o pai de hoje!
Eu acho um privilégio poder criar minhas filhas com a participação total do pai. Na verdade, eu já tive um pai assim. Quando meus pais se separaram eu tinha uns 4, 5 anos. Nos finais de semana que passávamos com o papai ele cuidava da gente, dava banho, fazia comida. Não esqueço dele preparando torta de frango para fazermos piquenique no parque Ibirapuera. Mas vamos combinar que hoje isso é muito mais comum do que na minha infância.
Até pouco tempo atrás o homem acreditava que seu papel como pai era o de chefe de família e provedor das coisas materiais. Ou seja, nascia o filho e era hora de trabalhar mais do que nunca para botar comida em casa, proporcionar estudo, lazer, etc. Trocar fralda, colocar pra dormir, ir na reunião da escola, tudo isso era papel da mãe, mesmo quando essa também trabalhava. Mas isso está mudando e hoje já tem pai que fica em casa cuidando dos filhos enquanto a mulher trabalha. Outro avanço é o fato de que em caso de separação, antes era óbvio que a criança ficasse com a mãe, mas hoje a guarda compartilhada é super comum. Ou seja, pais e mães tem os mesmos deveres na criação dos filhos e oportunidade de igual convivência com eles.
Os homens não só estão convivendo mais com os filhos como também estão se preocupando mais com a sua educação. Outro dia meu compadre estava falando de um texto da Roseli Sayão sobre limites. Achei tão legal que ele tivesse lido e estivéssemos ali conversando sobre o assunto! Assim como acho o máximo quando algum amigo homem comenta um post desse blog. Sem dúvida todos ganham com esse novo modelo de paternidade. As mães conseguem dividir a trabalheira física e emocional que é cuidar de criança, o pai pode desenvolver um vínculo muito mais profundo com a criança e a criança, essa ganha mais que todo mundo. Tem a oportunidade de ter uma criação muito mais equilibrada, recebendo o modo feminino e o masculino de educar e dar carinho.
Não posso terminar esse post sem reconhecer publicamente que o pai das minhas filhas é o máximo! O pai dele, mais tradicional, foi um provedor excelente, mas nunca trocou uma fralda na vida. Já o Ricardo, além de ser muito amoroso com as filhas é pai pra toda obra. Acorda cedo, dá café da manhã pras meninas, se precisar dá banho, cuida mesmo. A única coisa que ele não faz é escolher a roupa que elas vão usar. Mas isso é detalhe, né?
Até pouco tempo atrás o homem acreditava que seu papel como pai era o de chefe de família e provedor das coisas materiais. Ou seja, nascia o filho e era hora de trabalhar mais do que nunca para botar comida em casa, proporcionar estudo, lazer, etc. Trocar fralda, colocar pra dormir, ir na reunião da escola, tudo isso era papel da mãe, mesmo quando essa também trabalhava. Mas isso está mudando e hoje já tem pai que fica em casa cuidando dos filhos enquanto a mulher trabalha. Outro avanço é o fato de que em caso de separação, antes era óbvio que a criança ficasse com a mãe, mas hoje a guarda compartilhada é super comum. Ou seja, pais e mães tem os mesmos deveres na criação dos filhos e oportunidade de igual convivência com eles.
Os homens não só estão convivendo mais com os filhos como também estão se preocupando mais com a sua educação. Outro dia meu compadre estava falando de um texto da Roseli Sayão sobre limites. Achei tão legal que ele tivesse lido e estivéssemos ali conversando sobre o assunto! Assim como acho o máximo quando algum amigo homem comenta um post desse blog. Sem dúvida todos ganham com esse novo modelo de paternidade. As mães conseguem dividir a trabalheira física e emocional que é cuidar de criança, o pai pode desenvolver um vínculo muito mais profundo com a criança e a criança, essa ganha mais que todo mundo. Tem a oportunidade de ter uma criação muito mais equilibrada, recebendo o modo feminino e o masculino de educar e dar carinho.
Não posso terminar esse post sem reconhecer publicamente que o pai das minhas filhas é o máximo! O pai dele, mais tradicional, foi um provedor excelente, mas nunca trocou uma fralda na vida. Já o Ricardo, além de ser muito amoroso com as filhas é pai pra toda obra. Acorda cedo, dá café da manhã pras meninas, se precisar dá banho, cuida mesmo. A única coisa que ele não faz é escolher a roupa que elas vão usar. Mas isso é detalhe, né?
13 outubro 2010
Uma criançada dá menos trabalho do que uma criança
Minha mãe sempre defendeu a tese que dá título a esse post. Antes de ter filhos eu me perguntava como seria possível que um monte de crianças desse menos trabalho do que uma só. Pois foi só me tornar mãe para começar a perceber na prática essa matemática maluca. Quando tive minha primeira filha, e olha que ela foi única só por 1 ano e 9 meses, nem sempre fazíamos programas adaptados para crianças. Muitos amigos ainda não tinham filhos e muitas vezes ela era a única enfante do pedaço. Resultado, tinha que ter sempre um adulto, ou vários, e de preferência a mãe, dando atenção e brincando com ela. Quantas vezes me vi sentada no chão, exercendo essa função enquanto os outros adultos conversavam, bebiam e comiam? Já quando encontrávamos com nossos sobrinhos, nos eventos familiares, uma mágica acontecia: passávamos longos períodos sem ver nem ouvir a garotada.
Quando nasceu minha segunda filha, constatei também que o trabalho e os gastos aumentam mas não dobram. Veja só: a casa já está adaptada para crianças, as viagens são montadas pensando em diversão para toda a família e o time de ajudantes já está operando. A nova criança chega e já entra na rotina estabelecida. E aquela velha história de que onde comem 3 comem 4 é verdadeira. Não sei até onde essa progressão funciona já que só tenho duas filhas. Mas já estou no lucro porque, agora, está acontecendo uma coisa muito legal, as meninas já conseguem brincar juntas e se entreter sem a interferência de gente grande.
Nesse feriado, mais uma vez a conta fechou direitinho. Programamos encontros com amigos que tem filhos e no domingo, por exemplo, 7 crianças de variadas idades brincavam juntas numa boa enquanto os pais botavam os assuntos em dia.
Quando nasceu minha segunda filha, constatei também que o trabalho e os gastos aumentam mas não dobram. Veja só: a casa já está adaptada para crianças, as viagens são montadas pensando em diversão para toda a família e o time de ajudantes já está operando. A nova criança chega e já entra na rotina estabelecida. E aquela velha história de que onde comem 3 comem 4 é verdadeira. Não sei até onde essa progressão funciona já que só tenho duas filhas. Mas já estou no lucro porque, agora, está acontecendo uma coisa muito legal, as meninas já conseguem brincar juntas e se entreter sem a interferência de gente grande.
Nesse feriado, mais uma vez a conta fechou direitinho. Programamos encontros com amigos que tem filhos e no domingo, por exemplo, 7 crianças de variadas idades brincavam juntas numa boa enquanto os pais botavam os assuntos em dia.
29 setembro 2010
Crianças light
Estou as voltas com questões de alimentação infantil, vide meu post anterior, falando sobre como as crianças de dois anos não comem e ontem, na academia, duas frases fizeram com que um alerta soasse na minha cabeça. Estava fazendo uma aula e comentei com uma colega que ela havia emagrecido. Ela então me disse que estava em um regime super rigoroso e logo depois soltou: “agora que eu e meu marido estamos de dieta, meu filho só quer tomar suco light, acredita?”. Não, não acredito! Detalhe, a criança em questão ainda não completou 4 anos. Depois, fui para o vestiário tomar banho e presencio a seguinte cena: uma menina, de 7, 8 anos, sobe na balança e pergunta “mãe, será que eu preciso emagrecer?”, a mãe dá uma olhada no visor e diz “é, um pouquinho, né?”. Gente, pra mim, a menina parecia absolutamente normal! Na hora, minha vontade era abraçar a criança e levar pra minha casa, juro. Resultado, passei o dia pensando sobre esses tempos malucos que estamos vivendo. Já basta a mídia mostrar o tempo todo que o bonito é ser magra, loira, blábláblá. Nós, mães, temos outro papel. Queremos filhos saudáveis, de bem com a vida e com a própria imagem? Então vamos mostrar que brincar e praticar uma atividade física é mais legal do que ficar vendo televisão e jogando video game. Também vamos ensiná-los a comer de forma equilibrada, com prazer e sem culpa! E, principalmente, não vamos passar as nossas neuroses para os pequenos. Não podemos esquecer que o exemplo é a melhor forma de educar. Se só falamos e pensamos em dietas, é claro que as crianças, que são umas esponjinhas, vão achar que esse é um tema que também lhes diz respeito. E é por isso que os consultórios estão cada vez mais cheios de crianças com disturbios alimentares como bulimia e anorexia.
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