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10 novembro 2010

A criança e o consumo

Elas fazem 3 anos e começam com um papo de compra isso, compra aquilo. Mamãe me dá isso, EU QUERO!
Eu mesma quando pequena achava que cheque era uma coisa mágica... Quando eu pedia alguma coisa e meu pai falava que não tinha dinheiro eu logo mandava: “dá cheque, ué!”. O similar de hoje é o cartão. E ainda tem caixa eletrônico. Imagina que coisa mágica para a criança uma máquina que você enfia um pedaço de plástico e solta dinheiro!
Pra piorar, nossas crianças estão inseridas em uma sociedade de consumo barra pesada. É só assistir a qualquer canal infantil para se impressionar com a quantidade de propaganda, de lançamento de brinquedo, de lanche que dá brinde, etc. Para os pais fica realmente difícil, com tanto apelo, manter o mantra “ser é melhor que ter”. Mas é muito importante iniciar essa educação financeira o quanto antes. Nossos filhos não podem crescer achando que vão morrer se não tiverem todos os desejos atendidos. E também vão valorizar muito mais seus brinquedos e objetos se souberem que nosso dinheiro não dá em árvore, que dá um trabalho danado (literalmente) para ganhar.
Por tudo isso, acho que temos que conversar abertamente com os pequenos sobre esse tema. Fazer acordos e combinados também vale. A criança pede uma coisa que viu na TV? Primeiro cabe aos pais avaliar se o produto é adequado e se a criança está precisando. Depois é partir para a negociação. Tem alguma data especial se aproximando? Deixe para dar nessa ocasião. Resgatar a importância de poupar também é muito legal. Tá valendo cofrinho de porquinho, poupança no banco, o que for. Assim elas começam a curtir já o processo: juntar dinheiro, esperar a tal data e então, que delícia, finalmente ganhar o presente! E por último, exemplo é tudo, né? Só podemos ensinar aquilo que praticamos.

08 outubro 2010

Por um Dia das Crianças diferente

Está chegando mais um dia das crianças e um frenesi toma conta das pessoas! Desde setembro estamos sendo massacrados pelo mercado publicitário. É lançamento de brinquedo, pacote de viagem, programas os mais diversos. Quase tudo envolve dindin, muito dindin. Fui ali dar uma pesquisada na origem da data. Parece que foi criada em 1920, por um político, mas só em 5 de novembro de 1924, através de um decreto, o dia 12 de outubro foi oficializado como Dia da Criança. Tudo bem, até aí era uma homenagem aos miúdos. Mas em 1960, a fábrica de brinquedos Estrela e a Johnson & Johnson decidiram fazer uma promoção para aumentar suas vendas (ahá!), lançando a “Semana do Bebê Robusto”. O resto vocês já sabem, né? Desde então, dia das crianças virou sinônimo de consumo. Com certeza nossos pequenos vão ganhar montes de coisas, porque, mesmo se não damos, tem sempre os tios, avós e amigos para presentea-las. Sem querer me alongar em discussões filosóficas, queria propor um dia das crianças diferente. A idéia é: para cada brinquedo novo que entrar, um sai. O mesmo vale para as roupas. Dá pra fazer como se fosse uma gincana bem animada! Acho um jeito ótimo de ensinar algumas coisas às crianças:
• organizar e arrumar os brinquedos e roupas;
• separar o que ainda serve e interessa;
• consertar o que tem conserto;
• treinar o desapego desde já, doando o que não usam mais.

Vamos lá?